Imagem capa - O exit da Saipos e o mercado de venture capital no Brasil por Camila Farani
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O exit da Saipos e o mercado de venture capital no Brasil

A startup Saipos, plataforma de gestão para bares e restaurante que oferece integração com os principais aplicativos de delivery (iFood, Uber Eats e Rappi), concluiu, no final de agosto, round estratégico, que havia sido iniciado em abril de 2020. Com isso, a G2 Capital, da qual sou sócia-fundadora ao lado de Felipe Costa e Ricardo Carvalho, realiza o seu primeiro exit (que é quando a startup é vendida e o investidor recebe o retorno sobre o seu investimento ou, como foi neste caso, a empresa recebe um aporte e o investidor opta por sair, recebendo o lucro sobre o investimento inicial), um norteador importante para onde o mercado está caminhando, conhecido no meio empreendedor como um ‘milestone’. 


Registrando crescimento consistente ao longo do tempo, mesmo com a pandemia, a empresa mostra avanços. A solução ganhou mais espaço no mercado no último ano e viu sua equipe passar de 17 colaboradores para mais de 60, e sua base de clientes chegar a mais 2.800, em 2020, em meio à pandemia. A expectativa da Saipos, com o novo investimento, é que o dinheiro seja utilizado no desenvolvimento de novos produtos e serviços que atendam às tendências no food service, como autoatendimento e self checkout.


Fundada em 2017, a Saipos nasceu para atender a demanda dos restaurantes que já eram clientes do Devorando (startup anterior dos fundadores que, com o rápido crescimento, foi adquirida pelo iFood) e buscavam por um sistema que garantisse o crescimento dos seus negócios. 


Segundo a Saipos, foram recebidas inúmeras solicitações para desenvolver um sistema para gestão de restaurantes que fosse, de fato, simples, ágil e inteligente. Desde sua criação, a empresa recebeu diversos reconhecimentos, dentre eles, o destaque pelos resultados atingidos em programas de aceleração como Seed (Programa de aceleração de startups do governo de Minas Gerais), que tem como objetivo fomentar o ecossistema de inovação e empreendedorismo tecnológico.


Por conta dos resultados no seed, a Saipos foi escolhida para apresentar o seu pitch para mim e para Caito Maia, também jurado do Shark Tank e fundador da Chilli Beans, durante a FINIT (Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia), em 2017. O que torna o case da Saipos ainda mais interessante é o fato de a negociação com a startup ter sido feita durante a FINIT, com a ajuda da plateia para conseguir melhores condições no valuation da empresa. 


A Saipos tem proposta de valor clara para clientes e se encaixou perfeitamente na tese de investimentos da G2 Capital. Com certeza, ainda crescerão bastante. O mercado de venture capital segue firme no Brasil. Por ser um segmento de grande volatilidade, os empreendedores não se assustam com o cenário adverso causado pela COVID-19.  Claro, as pessoas estão mais cuidadosas, mas o mercado caminha com novos rounds de investimento sendo fechados.


Inclusive, a G2 Capital segue com o nosso processo de avaliação em busca de empresas de tecnologia no país, justamente por pensar que a visão é um retorno de longo prazo, podendo ocorrer entre dois a dez anos após o investimento com eventos de liquidez.


Prova de como o mercado está promissor são os dados do report de setembro da Sling Hub que, com 14,1 mil startups cadastradas (alta de 3,3% em relação a agosto), é hoje a maior plataforma de dados sobre o ecossistema empreendedor do país.


Setembro registrou 12 exits de empresas brasileiras, com destaque para a primeira saída da plataforma de equity crowdfunding EqSeed. A carteira digital e conta de pagamento do Bradesco Bitz anunciou a aquisição da fintech DinDin. De acordo com o CEO da empresa compradora, Curt Zimmermann, a aquisição da Dindin acelera a transferência de know-how e leva um time experiente para a Bitz. Intuito é de conquistar uma fatia entre 20% e 25% do mercado de carteiras digitais nos próximos três anos. 


O relatório da Sling destaca ainda que, passados apenas nove meses de 2020, o ano já tem mais fusões e aquisições que o registrado em todo o ano passado. Foram 41 deals e quase R$ 6 bilhões aportados, com destaque para: Locaweb, no setor de tecnologia, que adquiriu a Social Miner (segmento de marketing) e a Etus (tecnologia aplicada ao marketing); o Nubank que comprou a fintech Easy Invest; o iFood que comprou a SiteMercado, do mesmo setor; a Pixeon adquirindo a BoaConsulta no segmento de healthtech e a Linx, que comprou a Humanus (tecnologia/RH). 


Para finalizar, (ufa!) setembro também foi o mês que consagrou a VTEX (multinacional de tecnologia com foco em cloud commerce) como o mais novo unicórnio brasileiro (empresas de mais de US$ 1 bilhão). Isso graças ao aporte recebido dos fundos de investimento Tiger Global Management, Lone Pine Capital, Softbank e Constellation de US$ 225 milhões, que elevou a avaliação da empresa em US$ 1,7 bilhão. No decorrer do último ano, essas empresas fizeram um financiamento total no valor de R$ 2,025 bilhões somente na VTEX.