Imagem capa - O setor de tecnologia tecnologia vai na contramão ao mercado econômico por Camila Farani
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O setor de tecnologia tecnologia vai na contramão ao mercado econômico

A pandemia ressaltou ainda mais a necessidade da tecnologia em nosso dia a dia. Empresas de todos os segmentos tiveram que se adaptar e correr atrás do tempo perdido. Com isso, a demanda no setor de tecnologia aumentou do dia para a noite, por assim dizer. Ao que parece a crise parece não ter gerado efeitos tão negativos para as empresas de tecnologia, tanto quanto para diversos outros setores que estão tremendamente abalados.


Recentemente, grandes empresas do segmento, como Apple e Amazon, reportaram seus balanços do segundo trimestre de 2020. A Amazon duplicou seu lucro em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo a incrível soma de US$ 5,24 bilhões. Já a Apple teve alta de 12% no faturamento, chegando a US$ 11,25 bilhões.


No Brasil, as impressões também revelam uma verdade, afinal no primeiro trimestre as startups brasileiras atraíram um valor recorde de investimentos: R$ 11 bilhões. O levantamento de dados da “Inside Venture Capital”, realizado pelo Distrito Dataminer, aponta que os registros mostram que de janeiro a março de 2020 foram investidos apenas R$ 3 bilhões. Além disso, os investimentos de janeiro a março deste ano representam mais da metade (54%) dos R$ 19,9 bilhões investidos em todo o ano de 2020.


Nesses saltos dois tipos de startups se destacam: healthtechs e fintechs


Startups na saúde

 

Dessa maneira, as healthtechs (startups do segmento de saúde) também receberam 337% mais investimentos, que somaram R$ 533 milhões no primeiro trimestre. Se os investimentos continuarem nesse ritmo, a projeção de investimentos em startups é de R$ 28,5 bilhões neste ano.


Startups no mercado financeiro


Não tem como negar que a pandemia foi catalisadora de grandes avanços em diversos setores, apesar de trazer muitos prejuízos econômicos e sociais. Outro segmento que está muito em alta nos últimos anos, e teve um boom nesse período são as fintechs. As startups de serviços financeiros continuam a crescer e a atrair investimentos, movimentando milhões no mercado.


No Brasil, não é diferente, já nos primeiros meses de 2021, foram investidos mais de US$ 500 milhões (ou R$ 2,8 bilhão na cotação atual) nas fintechs do país. Até agora, já foram realizados 11 investimentos em startups do tipo.


O valor já representa 25% do total aplicado em startups do setor financeiro em 2020, um recorde para o período. Os bancos digitais e as corretoras de fácil investimento já ganharam o coração dos brasileiros a muito tempo, principalmente da nossa juventude, mas antes nós não sabíamos a dimensão que isso estava tomando.


Uma pesquisa realizada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), mostra que o Brasil concentra cerca de 50,5% dos negócios de fintechs na América Latina. Este número soma investimentos, negociações e financiamentos neste mercado.


A RecargaPay, é um exemplo de fintech que está conquistando mercado pelo mundo afora. A empresa que consiste em uma carteira digital levantou US$ 70 milhões com fundos de investimento estrangeiros. Outro destaque do período foi o aporte de US$ 18,5 milhões do Banco BV na Trademaster, fintech de crédito para pequenas e médias empresas.


(Gráfico elaborado pelo Valor Econômico - Reprodução Camila Farani)


Para quem não está familiarizado com o termo, no mercado de investimentos, aporte se refere a uma quantia aplicada com o propósito de alcançar um determinado objetivo. Assim, o aporte de capital nada mais é do que um subsídio ou contribuição que determinada empresa recebe.


De modo geral, os analistas esperavam que o COVID-19 prejudicasse o capital de risco. Afinal, em tempos incertos tudo pode acontecer. Mas muitos tubarões se revelaram nesse período e souberam aproveitar o momento exato para investir.


Ao invés da previsão de abalo ao setor de investimentos, 2020 acabou sendo o segundo maior ano para capital de risco da história, com fundos aplicando cerca de US $ 141,9 bilhões em investimentos. Confesso que até eu mesma me surpreendi com esse panorama geral, no início não imaginei que tantos empresários fossem saber extrair o melhor de uma situação mundialmente ruim.


Acho que a maior lição que podemos guardar em todos os acontecimentos econômicos nesse último ano, é que a adaptabilidade é a melhor característica em um empresário. Se lá no começo muitas empresas tivessem apertado os cintos e esperado a crise passar, com certeza o cenário atual seria muito diferente. É importante saber quais ondas surfar, mas são as maiores que trazem as melhores recompensas.